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31 de janeiro de 2012

Sobrevoando Araraquara com Exupéry


          Domingo passado (29/01/12), fui assistir, gratuitamente, à peça “Sobre-voo”, no Teatro Wallace, contíguo à Casa da Cultura, em Araraquara City. Trata-se de um monólogo, sobre a vida de Exupéry (aquele, do Pequeno Príncipe), interpretado por Weber Fonseca, ator araraquarense.

               O local é acanhado, mas aconchegante, perfeito para apresentações intimistas como essa. O clima, criado com efeitos inteligentes de luz e sombra, conseguiu dar sensação de trazer um pedacinho da França, com o auxílio da trilha sonora envolvente.
              
             Muito inteligente o texto. O ator não se perdeu. Estabeleceu o ritmo de quem conta a sua própria estória a alguém que acaba de conhecer, tentando cativar o interesse do ouvinte. Estava ali Antoine nos contando sobre suas passagens e peripécias, amigos queridos que fez, enquanto piloto de linha, da saudade que sentia da querida mãe, tudo isso permeado por frases retiradas dos livros que escreveu ao longo de sua vida.

        As reflexões pessoais de Antoine Exupéry são sempre bem vindas, porque nelas encontramos ressonância: ele conseguiu traduzir elegante e poeticamente as angústias e descobertas íntimas daqueles que ousaram refletir sobre sua própria existência. Ouvimos aquilo e logo pensamos: é isso! É isso mesmo que sinto! Que maneira linda de dizer isso!

       Ao terminar a apresentação, o ator nos informou que essa foi uma iniciativa totalmente independente, com verba limitada. Ou seja, levantou esse espetáculo tão bonito e sensível, com tanta qualidade e muito bem dirigido, contando apenas com o apoio e parcerias de amigos e empresas de Araraquara. E passou, ao final, sem cerimônia, o chapéu.

   






   Minha humilde contribuição é registrá-lo no meu blog, ressaltando, como ele mesmo disse para nós, que a melhor forma de prestigiar o teatro é... indo ao teatro.

   De Araraquara o espetáculo segue para Curitiba, onde estará em cartaz de 01 a 04 de abril, no Memorial de Curitiba. 

                                 




Para saber mais sobre Weber Foseca e sua trupe, acesse: 

10 de agosto de 2011

Pôneis Malditos, Pôneis Malditos, Trá-lá-lá-lá-lá-lá-láááá...


Algumas propagandas são realmente marcantes e fico morta de curiosidade para saber quem foram as pessoas responsáveis por aquela façanha, quem teve aquela ideia brilhante! A propaganda da pick up Frontier, da Nissan, mudou o nosso cotidiano. Apenas três dias após ter ido ao ar, a musiquinha infernal dos “pôneis malditos” grudou feito goma.

A pergunta que ficou foi quem foram esses geniais publicitários que criaram esse comercial?  

Bem, a agência responsável pela criação foi a Lew’Lara/TBWA. Vale a pena visitar o site dos caras: http://www.tbwa.com.br/pt/index.html





“Todo carro tem alguma coisa especial. E aí vem a pegada de humor, impacto e pimenta. Estamos vendo com os olhos do consumidor. Não quero brigar com a concorrência, o argumento é:  ‘você quer uma picape de verdade, com cavalos, ou com pôneis no motor?’, questiona.  (Márcio Oliveira é vice-presidente de Operações da Lew’Lara/TBWA

                                   




Pônei maldito, pônei maldito,
Venha com a gente atolar!
Odeio barro, odeio lama,
“Que nojinho!”
Não vou sair do lugar
“Muaa..! Te quiero!”

Bom, pesquisando o que me interessava, quis saber mais a respeito da dupla que comanda uma das maiores agências publicitárias do país:

Jacques Lewkowicz

É paulistano. Nasceu em 1944, no bairro Bom Retiro, São Paulo.

Com mais de trinta anos de carreira, é conhecido pela criação de vários bordões que entraram para a história da propaganda brasileira.

Das suas campanhas mais famosas, destacam-se a dos cigarros Vila Rica, em que o jogador Gérson aparecia perguntando: "Gosto de levar vantagem em tudo, certo?". Até hoje a campanha é lembrada pela população e se tornou sinônimo de malandragem (a chamada Lei de Gérson).

Posteriormente, Lewkowicz explicou que esse título seria "uma metáfora de todo tipo de falcatrua e malandragem, e passou a exprimir uma crítica social muito forte".

Outra campanha famosa foi a que trazia o chamado Efeito Orloff: "Eu sou você amanhã", em que alertava o consumidor sobre a importância de escolher certo a sua bebida e evitar a ressaca do dia seguinte.

Conhecida também é a campanha feita para o jeans Lee: "Não é a Lee que é diferente, as outras é que são iguais".

Atualmente Jaques Lewkowicz é sócio da agência Lew, Lara, juntamente com Luiz Lara.

Participou de várias edições do Festival de Publicidade de Cannes.


Luiz Lara


"Aqui você vai conhecer a trajetória de Luiz Lara: publicitário, presidente da Abap e fundador da Lew Lara, uma das principais e mais premiadas empresas de publicidade do país.

Em entrevista a Elias Awad, Luiz Lara revela que, quem diria, publicidade não foi a primeira escolha dele, que começou na área junto a outro fera –João Doria Jr. e que sempre foi apaixonado por mídia.

Somos Biografia: Onde você nasceu e como era esse lar?
Luiz Lara: Eu nasci em São Paulo, em 1962, no Pacaembu, bairro tradicional da cidade, de classe média alta.
Estudei no colégio Ofélia Fonseca, um colégio muito tradicional, fiz o primário e o ginásio. E o colegial eu fiz no Rio Branco, também uma tradicional escola.
Eu tive uma vivência muito importante pra minha formação no colégio Rio Branco. O homem é fruto do DNA, da formação, dos valores que ele tem e também fruto da convivência que tem com amigos.
E eu tive uma educação muito rígida, muito disciplinada, mas com muito amor dentro da minha casa. Sempre gostei de conviver com pessoas diferentes, amigos diferentes e isso cultivei desde a infância.
E, apesar de morar na cidade, eu sempre fui muito para o interior, onde passava férias, colhia jabuticaba, jogava futebol com bola de meia, foi uma infância muito feliz, que me ajudou muito a ser o que sou hoje.

Somos Biografia: Conte um pouco da atividade do seu pai e da sua mãe, porque muitas vezes é daí que começamos a construir o trabalho do empreendedor.
Luiz Lara: O meu pai era agricultor, um homem ligado ao campo, gostava de plantar tomate, plantar café, criar gado.
Lutou a vida inteira fazendo seus empréstimos no Banco do Brasil e tinha uma paixão pela terra. Minha mãe foi professora, deu aula de inglês por mais de quinze anos na Cultura Inglesa. Os dois me deram uma disciplina muito rígida, ligada no trabalho, nos valores éticos e morais.
Eu sempre gostei muito de falar, de ler e escrever, eu era apaixonado por mídia, mas apesar dessa minha paixão pela mídia, eu nunca me imaginei publicitário. E para uma família tradicional como a minha, uma pessoa que lia muito, escrevia e falava bem era pra ser advogado.
Prestei vestibular e acabei entrando na universidade de direito da USP. Era um período rico que o Brasil estava vivendo, era um período da efervescência democrática. Em 1984, eu participei diretamente das Diretas Já. E a São Francisco era uma faculdade extremamente politizada, extremamente atuante e direito é um curso lindo, é uma paixão.
Aquele período de direito foi muito rico, logo no primeiro ano eu vi que não seria advogado, mas fiz questão de terminar o curso e no quinto ano me especializei em direito empresarial.

Somos Biografia: E quando começou a trabalhar com publicidade?
           Luiz Lara: Comecei a trabalhar com propaganda, graças ao amigo Raul Dória, que eu conheci no colégio Rio Branco e que me apresentou a área. Ele me convidou para escrever um case para a Secretaria da Fazenda do Estado do Espírito Santo: “Amigos de Jucapixaba”, e esse case ganhou o top de marketing.
Então na época ele me contratou para uma pequena empresa de propaganda e promoção que ele tinha, e foi aí que comecei a trabalhar com o Raul, aos meus 17 anos de idade.

Somos Biografia: Quais eram os grandes nomes da época?
Luiz Lara: Os nomes que abriram caminho e que fizeram da propaganda a indústria de comunicação forte que ela é até hoje: Alex Periscinoto, o Geraldo Alonso, o Mário Sales, o José Alcântara Machado,Petrônio Corrêa, Luiz Macedo, foram grandes empresários da comunicação que criaram condições para que a indústria da propaganda florescesse.
Se hoje nós temos uma propaganda de primeiro mundo é porque realmente o Brasil teve grandes empresários da comunicação. O segredo do sucesso pessoal e profissional é você encontrar aquilo que você gosta, aquilo que você tem paixão.
A partir daí todo trabalho é lazer e todo o tempo dedicado a seu oficio é um tempo em que você curte cada segundo, mesmo trabalhando muito.

“Se hoje nós temos uma propaganda de primeiro mundo é porque realmente o Brasil teve grandes empresários da comunicação”


Somos Biografia: E como foram seus primeiros passos nessa área?
Luiz Lara:  Em 1980, eu tive uma experiência pública, trabalhei na Paulistur e na Embratur, de 1983 a 1986, ao lado do João Dória Jr.  
Eu fui diretor de marketing, minha função era trazer recursos da iniciativa privada para campanhas da Paulistur e da Embratur. Essa experiência foi muito rica, quando saí de lá, em 1987, Alex Periscinoto e José Alcântara Machado cometeram a loucura de me dar uma participação de 3% na minha primeira agência que foi a Almap Promoções.
Em 1989 eles se associaram a BBDO, e eu tive a oportunidade de ter minha primeira agência de propaganda, ao lado do João Dória, com que eu tinha trabalhado e aprendido muito na Paulistur e na Embratur e de um grande redator e até hoje meu grande amigo Stalimir Vieira.
Nasceu a Doria Lara Stalimir, uma agência de propaganda.
Até que, em 1992 surgiu a LEW LARA, e já temos 18 anos de história.

Somos Biografia: Qual você considera o maior erro da sua trajetória e com qual você mais aprendeu?
Luiz Lara: Foram muitos os erros e acho que a gente continua correndo o risco de errar todo dia porque quem tenta e empreende muito certamente comete erros.
Quando a gente se envolve numa estratégia para um cliente e não faz a imersão adequada no problema do cliente erra e muito.
Antes de qualquer coisa é preciso mergulhar na vida daquele cliente e conhecer tudo, a história da organização, missão, valores, atributos, consumidores, parceiros e a partir daí delimitar uma estratégia.
Então, algumas vezes eu cometi esse erro, e isso pode ter custado alguns milhões de reais.
O maior erro é quando a gente se deixa levar pela vaidade, troca a janela pelo espelho, quando a gente se apaixona por uma ideia e começa a olhar mais para si próprio como ator genial da ideia, e começa a não olhar para o lado, perde o senso crítico, perde a capacidade de ouvir e erra porque passa a ter mais respostas do que perguntas.
Acho que para ser bom publicitário precisamos ter mais perguntas do que respostas.

Somos Biografia: O que o sucesso traz e o que ele tira do empresário?
Luiz Lara: O sucesso não existe, sucesso existiu.
O trabalho bem-sucedido de ontem não é o trabalho bem-sucedido de hoje. Então você tem que sempre reinventar e nunca ficar escravo do sucesso.
E acho que você tem de fazer o que gosta e não se preocupar a mínima com o sucesso e com as críticas, porque todo mundo perde, todo mundo ganha.
É mentira dizer que tudo que você fez deu certo, o importante é você prosseguir, persistir e acreditar. E ouvir principalmente a família, que é a base de tudo.

“…quem tenta e empreende muito certamente comete erros”


Somos Biografia: Três perguntas: o que você quer, o que você merece e o que você busca?
Luiz Lara: Eu quero um Brasil mais justo com menos violência e mais educação e saúde para todos.
O que eu mereço é o que eu vou fazer por merecer. Você tem que buscar um equilíbrio entre aquilo que você gosta e aquilo que você faz, sempre respeitando o outro.
E a busca é a paz e o amor. Quero ter sempre uma vida muito boa com minha família, ter o respeito dos meus filhos, da minha mulher e viver uma vida em que a gente tem uma troca sempre."




Fontes: